Entrevista com Larissa Rahmilevitz, Sócia fundadora da Bike Ybá.

Larissa Rahmilevitz é formada em Engenharia Ambiental e Sanitária pela Universidade de São Paulo (USP). Ela já trabalhou como coordenadora do projeto “Cooling a city block” na Austrália, que visa encontrar possíveis soluções para os impactos ambientais das cidades. Também atuou na Estre Ambiental e nos projetos Escolinha Bike e Bike Sharing.

Em 2017, Larissa fundou a startup Bike Ybá. A ideia do projeto é produzir sucos naturais por meio de bicicletas. A energia das pedaladas é o que move os liquidificadores. Para saber mais, acesse: https://www.bikeyba.com.br/

Em entrevista para o Merkaz, Larissa fala sobre a sua ideia de projeto, sua carreira como empreendedora, aprendizados e próximos objetivos de sua vida profissional.

 

A sua startup trabalha com uma ideia muito inovadora e criativa. Como surgiu a ideia de criar a Bike Ybá?

Após terminar a faculdade de Engenharia Ambiental, tive a oportunidade de passar um ano na Austrália a trabalho. Foi lá que conheci uma empresa chamada Bike n’ Blend, que foi minha inspiração para criar a Bike Ybá. Querendo conhecer de perto todo o funcionamento e desafios da operação, quando ainda morava em Sidney, fiz alguns freelas para a Bike n’ Blend nos finais de semana e horários livres. Me apaixonei pelo conceito do negócio e me identifiquei bastante com a Leena, fundadora da empresa. Como este era um mercado ainda não explorado no Brasil e 100% alinhado com os meus valores, resolvi que quando voltasse para o Brasil valeria a pena investir neste negócio.

 

Você sempre quis entrar para o mundo dos negócios ou esse foi um desejo recente?

Minha família sempre foi empreendedora, tanto pelo lado do meu pai, quanto pelo lado da minha mãe. Meu irmão, assim que terminou a faculdade, também começou a empreender e eu tomei essa decisão logo depois. Realmente está no sangue da família!

 

Antes de começar a empreender, trabalhei como estagiária em uma consultoria ambiental, como trainee em uma empresa de grande porte e como coordenadora de projetos em uma startup. Assim pude experimentar como é ser CLT em diferentes ambientes corporativos antes de entrar no mundo do empreendedorismo. Posso afirmar com toda certeza, que apesar dos desafios de empreender, me encontrei agora profissionalmente!

 

Quais foram as dificuldades que você encontrou no começo da sua carreira como empreendedora?

A maior dificuldade foi construir uma rede de fornecedores que eu pudesse confiar. Sofri bastante com escolhas de fornecedores erradas e perdi bastante tempo com isso. Cheguei até a brincar que ia fazer um livro com as histórias malucas que passei com os bicicleteiros, marceneiros e vendedores de frutas que vi por aí. (risadas) Mas quem nunca passou por isso, né? Hoje em dia, construí essa rede de confiança e considero que isso é algo muito importante para quem quer empreender. Não fazemos nada sozinhos, dependemos mais do que gostaríamos dos fornecedores, e por isso, precisamos ir atrás de pessoas de confiança, com boa comunicação e bom relacionamento.

 

Outra dificuldade foi de repente, uma engenheira de formação, precisar cuidar de todas as áreas de uma empresa. Se eu não estabelecesse minhas próprias metas, fizesse o comercial, marketing, RH, operação, limpeza, financeiro, administrativo, etc. ninguém faria, afinal, não tinha mais ninguém.  Hoje tenho um sócio que me ajuda bastante, mas ainda assim, precisamos aprender cada dia coisas novas de áreas que não dominamos.

 

Você possui planos para expandir ainda mais a Bike Ybá?

Com certeza! Mas estamos ainda avaliando qual o melhor caminho para isso.

 

Quais são os próximos objetivos da sua vida profissional?

Acredito que estou apenas no comecinho da minha jornada com a Bike Ybá. A empresa tem muito potencial ainda para ser explorado, considerando que estamos criando um mercado novo no Brasil. A empresa na Austrália (que foi a minha inspiração) tem atualmente mais de 20 bicicletas, vários funcionários e está em 3 estados diferentes. Pensando em médio prazo, esse é o meu objetivo. Em longo prazo, quem sabe conquistar o mercado da América do Sul? Para isso, temos um longo caminho ainda a ser percorrido.

 

Qual foi o seu maior aprendizado desde que fundou a Bike Ybá?

Nosso maior aprendizado foi (e está sendo) como precificar do nosso negócio. Como não há nada similar no mercado, não pudemos fazer um estudo de concorrentes e comparar preços. Sabemos que precisamos considerar que somos um negócio único com bastante valor agregado, diferente de uma bike food normal ou uma loja de suco. Mas, quando participamos de uma concorrência, é difícil os clientes perceberem isso, pois apenas comparam os preços. A cada cliente diferente aprendemos um pouco mais e vamos aperfeiçoando nossa planilha de orçamento, que está em constante mutação.

 

E qual foi o maior erro?

No momento de abrir a empresa ou, como foi o nosso caso, no momento de alterar o CNPJ para incluir novas atividades, cometemos o erro de não pensar em possíveis atividades que poderíamos vir a fazer no futuro. O processo de alteração do CNPJ foi caro e moroso e assim que ficou pronto percebemos que não havíamos incluído um CNAE específico que precisamos de vez em quando. Sendo assim, aconselhamos que antes de iniciar qualquer processo burocrático que envolva desembolso de recursos, planejem tudo certinho e antecipem possibilidades futuras para não perder nem tempo, nem dinheiro.

 

Quais são as suas inspirações?

Cansei de ver por aí empresas que não respeitam as leis, fazem injustiças, vendem coisas ruins para as pessoas e fazem mal para o meio ambiente. Meu sonho sempre foi trabalhar em uma empresa que não fosse assim e escolhi ser engenheira ambiental pensando nisso. A melhor forma para isso acabou sendo criar minha empresa, onde eu consigo construir tudo exatamente como acredito.

Empresas que seguem esses valores corretos são minhas inspirações, como a escola dos meus pais, a Bike n Blend na Austrália, a Natura e a Reserva.

 

Qual o seu conselho para quem está começando?

Quando olho para trás e vejo a história da Bike Ybá, percebo e admiro como fui pé no chão, construindo a empresa sobre bases sólidas, fazendo uma pesquisa de mercado primeiro, criando protótipos (MVPs) para validar a ideia antes de investir, testando diferentes públicos, diferentes valores para cobrar, diferentes fornecedores e diferentes modelos de negócio. Com bastante interação com os clientes, fomos entendendo o que precisava melhorar e mudar, antes de lançar nosso produto final.

 

Em resumo, fui aplicando o método lean startup para desenvolver meu produto e para fazer os eventos (que não tem nada de tecnologia, nem de startup) e funcionou muito bem!

 

Para quem está começando e tem um perfil mais conservador, de pouco risco, assim como eu, acho que esse é um bom caminho! Inclusive, enquanto eu estava testando o meu MVP, optei por continuar trabalhando e receber salário normalmente. Apenas quando eu estava segura da aceitação do meu produto, que eu decidi me entregar completamente e pedi demissão.

Categories: Interview

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